segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A Prefeitura e a dengue

A epidemia de dengue que se abateu sobre Taquaritinga, no primeiro semestre deste ano, teve grande repercussão na Câmara Municipal. O presidente da casa, Amarildo Luís Rocha (PPS), declarou na época que o número de casos ultrapassara 4 mil, certamente aproximando-se muito da realidade, uma vez que a disseminação da doença fugiu ao controle das autoridades de saúde do município.
A presença do secretário da Saúde, Wilson Rodrigues, na última sessão ordinária de novembro comprova que a Câmara segue preocupada com o assunto. Wilson foi convidado a falar sobre as providências tomadas para evitar a repetição da tragédia e as medidas de contenção ao mosquito transmissor. O responsável pela pasta enfatizou que dificilmente a cidade deixará de registrar casos, mas são imprescindíveis os cuidados para que não haja mortes em decorrência da moléstia.
É justo reconhecer que o prefeito Paulo Delgado (DEM) entrou na luta, determinando ao Departamento Municipal de Controle de Vetores (Demcove) a adoção de um trabalho preventivo permanente. A população está sendo instruída a fazer sua parte, retirando dos quintais todo o material capaz de acumular água.
No entanto, a Prefeitura tem sido muito complacente com donos de terrenos baldios que, irresponsavelmente, deixam o mato crescer. Essas áreas, que estão até no centro da cidade, transformam-se em verdadeiros depósitos de lixo a céu aberto. Pelo que se constata, não saem do papel as disposições legais que preveem multas a esses cidadãos, que não respeitam os moradores vizinhos de suas propriedades desocupadas. Cabe ao prefeito cobrar mais eficiência do departamento encarregado de fiscalizar esse abuso.
Como o Legislativo parece estar empenhado em asfastar a dengue, vai aqui uma sugestão muito eficaz para amenizar o problema dos terrenos em estado de abandono. Basta aumentar consideravelmente a alíquota do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) que incide sobre essas áreas. A medida é absolutamente legal e já tem sido tomada por municípios realmente preocupados com a dengue. Os únicos prejudicados com a mudança seriam os especuladores imobiliários.
Não adianta obrigar milhares de moradores a manter limpos seus quintais, se centenas de terrenos sujos são pontos de proliferação do inseto transmissor. Nunca é demais lembrar: cumprir uma tarefa meio certo, significa também executá-la meio errado.
EDITORIAL DE 4 DE DEZEMBRO DE 2010

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